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O impacto da crise na Saúde

Se todos os dias, quando olhamos para os jornais, quando vemos os telejornais, quando ouvimos as rádios ou mesmo quando falamos com amigos, fizéssemos um ranking das palavras mais pronunciadas, as que estariam no topo, provavelmente seriam (falta de) dinheiro, crise e desemprego. Apesar da maioria das pessoas repetirem constantemente estes substantivos, existe um pequeno número que raramente os utiliza ou quando o faz, é para tentar motivar os outros.

Alguns dos discursos motivacionais, deixam-nos de facto a pensar e um dos exemplos mais inspiradores poderá ser o que J F Kennedy fez um dia, quando disse que a palavra crise escrita em chinês era representada por dois caracteres: um que representava perigo e outro que representava oportunidade. Num outro discurso motivacional, apercebi-me de um facto curioso: é que se da palavra crise retirarmos o “s”, surge a palavra crie.
No entanto, o meu preferido é uma pequena história que alguém contou. Há muitos anos, uma empresa de calçado enviou dois trabalhadores para um país ainda pouco industrializado. Um foi para o Norte e outro para o Sul. O objetivo seria avaliar a possibilidade da expansão da empresa para aquela região. Passados 3 dias, a empresa recebeu o relatório dos dois trabalhadores. Num podia-se ler: “Vai ser impossível expandir para aqui a empresa. As pessoas andam descalças”. No relatório do outro lia-se em letras garrafais: “Excelente oportunidade de negócio. As pessoas aqui ainda andam descalças”. Com algum esforço é certo, creio que podemos tentar ver o momento atual como o descrito pelo segundo trabalhador. Se por um lado é verdade que as pessoas têm menos dinheiro, também não é menos verdade que as pessoas continuam a ficar doentes e a necessitar de cuidados de saúde.

Hoje em dia as pessoas fazem uma escolha mais racional e optam se necessário, por recorrer a profissionais que actuam em regime privado desde que sejam atendidas de forma responsável e competente, conseguindo assim melhores resultados. Os próprios custos de saúde no sector público têm aumentado o que poderá permitir uma transferência de doentes que antes recorriam ao SNS para o sector privado. Para se perceber esta mudança de paradigma, a título de exemplo, mostrou-se que actualmente com o aumento das taxas moderadoras, é mais barato recorrer a um hospital privado para uma urgência (com seguro de saúde) do que recorrer a um hospital público.

Assim, e apesar do perigo que a crise representa, existem excelentes oportunidades de negócio que os profissionais de saúde podem e devem agarrar. Por exemplo no caso dos fisioterapeutas, se antigamente seria difícil competir com as clínicas convencionadas principalmente por causa dos preços, com o aumento das taxas moderadoras torna-se mais fácil de angariarem clientes para a esfera privada, desde que o atendimento seja feito de forma rigorosa e que os resultados rentabilizem o investimento. E como é que os fisioterapeutas poderão tornar-se mais competentes? Além de uma vontade de fazer mais e melhor, deverão munir-se de ferramentas que os permitam diferenciar e, isso passa invariavelmente pela formação pós graduada. Se é verdade que todas as pessoas para serem fisioterapeutas necessitam da licenciatura, também é verdade que os que depois se distinguem são aqueles que após a sua conclusão, apostam numa área específica e efectuam formação que aprofunde os seus conhecimentos, tornando-os mais competentes aos olhos dos outros profissionais e mais importante, do cliente. Quem não optar por apostar em formação avançada, torna-se em pouco tempo, e fruto da evolução científica, obsoleto e facilmente ultrapassado pelos colegas que não ficam amorfos.

Se é verdade que a crise traz dificuldades, também é verdade que traz oportunidades e para isso, temos que estar preparados.

Nas crises, enquanto uns choram, outros aproveitam para vender lenços!

(Manuel Paquete, é um dos co-fundadores da Bwizer e periodicamente irá contribuir para o enriquecimento deste espaço. )

Discussão

One thought on “O impacto da crise na Saúde

  1. Clap clap clap! És um senhor!! Mas eu nunca tive dúvidas disso!!

    Posted by Célia Madureira | Junho 14, 2012, 23:24

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