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Os jovens profissionais de saúde

A taxa de desemprego para jovens (idade inferior a 24 anos) passou em 2007 de 15,2 % para uns espantosos 36,2% em 2012. Significa isto que um em cada três jovens está desempregado. Não tenho dados para os profissionais de saúde não médicos mas temo que o número seja ainda mais elevado. A crise está instalada. Nos outros países da Europa em que o desemprego tem disparado, todos os dias assistimos pelos órgãos de comunicação social a manifestações, a confrontos com a polícia, a greves, etc.

Em Portugal, como país de brandos costumes que dizem que somos, a contestação tem sido menor. As centrais sindicais, pela voz dos seus representantes, dizem que deveríamos lutar mais pelos nossos direitos, sair às ruas, parar a economia e não ceder ao grande capital (creio que a cassete será mais ou menos esta). Sem dúvida que as coisas não estão fáceis e que a luz ao fundo do túnel hesita em aparecer mas, a solução passa por manifestações atrás de manifestações? Os senhores que apelam a isso terão o meu respeito quando criarem postos de trabalho e gerirem de facto uma empresa que não esteja dependente do Estado dando sustento a várias famílias. Quando perceberem que ao contrário do tempo deles, não existem empregos eternos e que a luta deve ser feita no local de trabalho quer para o bem do trabalhador quer para o bem da empresa que ele representa, terão a minha admiração.

Os mais jovens querem entrar no mercado de trabalho e não conseguem. Os que conseguem trabalham muitas vezes por valores escandalosos, que mal dá para as suas despesas. Mas trabalham. Tentam acrescentar valor. Tentam enriquecer os currícula vitae. O chefe da missão da troika afirmou que seria preciso investir em educação e inovação para melhorar a competitividade portuguesa. Os jovens portugueses (e falando da realidade que conheço melhor, os profissionais de saúde) têm-no feito, e na maior parte das vezes com elevado sacrifício. Perceberam antes mesmo dos senhores da troika esta realidade e puseram-na em prática. “Fazem a formação e depois fazem o quê? Se não há trabalho?”

Até aqui, os profissionais de saúde mais jovens têm dado lições, mostrando uma elevada resiliência à frustração. O nosso país desde o tempo dos descobrimentos que está ligado à emigração e se muitos desses jovens aqui não têm oportunidade, vão procurar essa oportunidade lá fora. Vivemos numa aldeia global e hoje em dia, é mais rápido e barato ir do Porto ou de Lisboa a Paris do que do Porto a Lisboa. Percebendo isso, muitos jovens profissionais de saúde têm optado por essa estratégia. É verdade que assim Portugal perde mão de obra qualificada neste processo mas este efeito, terá o seu retorno quando no futuro as condições da economia portuguesa permitam o seu regresso. Os que regressam, não só trazem os conhecimentos que aqui adquiriram como também trarão novos saberes e mentalidades, que nos podem enriquecer a todos.

A emigração não será a única solução. Sendo os custos da saúde muito elevados, e havendo necessidade de cortes e aumento das taxas moderadoras, surge aqui uma oportunidade de ouro para o segmento privado. Como exemplo podemos falar da fisioterapia. Qualquer fisioterapeuta sofria uma concorrência desleal com as clínicas convencionadas. Hoje em dia, com o tal aumento das taxas moderadoras, um utente pensa duas vezes por quem quer ser tratado. A fisioterapia, apesar das dificuldades que foi tendo em mostrar o valor acrescentado que pode dar a um utente, tem vindo a fazer o seu caminho. Os fisioterapeutas de hoje têm mais ferramentas que os fisioterapeutas tinham há 20 anos atrás. E os fisioterapeutas que têm apostado na formação, conseguem diferenciar-se e começam a mostrar o seu real valor junto da sociedade.

Os profissionais de saúde mais jovens não ficaram parados. Não foram lutar para as ruas mas sim para o seu enriquecimento profissional. O resultado estará a chegar.

(Manuel Paquete, é um dos co-fundadores da Bwizer e periodicamente irá contribuir para o enriquecimento deste espaço. )

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