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Actualidade, Bwizer, Saúde

Um profissional de saúde em França

Em virtude do curso Bwizer de Francês para Profissionais de Saúde (que pode consultar aqui http://bit.ly/SY9FnY procuramos saber um pouco mais sobre a realidade que envolve o processo de emigração.

Foi assim que entrevistamos um cliente e bom amigo, o Fisioterapeuta Rodolfo Coelho, que, aos 35 anos decidiu apostar numa carreira lá fora. É ao longo das próximas linhas que relata toda a sua visão e experiência:

1 – Rodolfo, sabemos que a tua formação de base não é na área da saúde. O que te levou a optar por este caminho, nomeadamente pela Fisioterapia?

R.: É verdade que venho de uma área bem diferente, Contabilidade e Gestão, à qual estive ligado, de forma mais ou menos direta, durante 10 anos. O que me fez mudar de área foi a falta de motivação que sentia no desempenho do meu trabalho. Aí, a Fisioterapia surgiu, pela primeira vez, como uma área que me poderia motivar. Apesar da falta de bases na área científico-natural decidi arriscar.

2 – Imaginamos que tenha sido de alguma forma um choque para ti, após ter investido numa nova formação, não veres cumpridas as tuas expectativas. O que sentiste?

R.: À semelhança de todos aqueles que terminam a sua formação e de seguida não encontram colocação no mercado de trabalho o sentimento foi de enorme frustração.

3 – Quais pensas serem os principais defeitos do SNS em Portugal, nomeadamente na sua relação com o profissional de saúde?

R.: Penso que em Portugal as áreas técnicas de saúde continuam a ser olhadas como “áreas de segunda”. Não existe uma adequada dignificação das respetivas carreiras, nem no sector público e menos ainda no sector privado. Neste aspeto considero que profissionais e pacientes saem prejudicados.

4 – Quando é que na tua cabeça foi tomada a decisão de emigrar?

R.: Quando percebi que Portugal tinha deixado de ser uma opção de trabalho para mim. Após 4 anos de investimento pessoal na minha formação não podia deixar que as barreiras fronteiriças fossem um entrave para alcançar os meus objetivos.

5 – Porquê França?

R.: Eu estava disponível para trabalhar em qualquer parte do globo, cheguei mesmo a assinar um contrato para trabalhar nos USA. Mas, como na vida por vezes acontecem acasos, surgiu-me a oportunidade de vir trabalhar para França com um Osteopata Belga que me fez uma proposta quase irrecusável… daí a escolha por França.

6 – Há uma grande diferença, em termos profissionais, entre os dois países?

R.: As diferenças são enormes. Aqui o Fisioterapeuta, bem como Enfermeiros e restantes técnicos de saúde, são tratados da mesma forma que os médicos. Não existe a barreira entre médicos e técnicos que há em Portugal. Cada um tem a sua função mas todos têm, reconhecidamente, a mesma importância. Aqui é vulgar um médico pedir a opinião ao Fisioterapeuta e vice-versa, deixando quase sempre ao critério do Fisioterapeuta a escolha do protocolo de tratamento a seguir.
Financeiramente também é sentida a equidade. Não há o fosso que existe em Portugal. Acho que isto diz tudo…

7 – E em termos culturais e de adaptação, o processo é difícil?

R.: No meu caso não tem sido. Felizmente tenho tido bastante apoio e aceitação por parte de todos (demais profissionais e pacientes). É claro que culturalmente existem bastantes diferenças mas eu sempre aceitei bem que “em Roma é-se Romano”.

8 – Quais são os principais pontos positivos e negativos desta mudança?

R.: Para já o saldo é totalmente positivo. Sinto-me bem aqui, profissional e pessoalmente, pelo que não encaro a possibilidade de regresso. A única coisa negativa são a distância de família e amigos. Mas nada que o Skype não resolva… Posso sempre lembrar-me que se estivesse a trabalhar em Bragança gastava mais tempo e dinheiro a chegar ao Porto do que estando aqui.

9 – Sabemos que concluíste formação em Francês, previamente à tua ida. Qual foi a importância desta formação na tua integração profissional?.

R.: Foi crucial. Para começar, para me poder inscrever na Ordem de Fisioterapeutas Francesa é obrigatório ter o nível B2, e depois, tenho de reconhecer que sem a mesma não seria tão fácil a minha integração. A barreira linguística pode tornar-se bastante incomodativa.

10 – Que conselhos dás a quem está a ponderar sair do país

R.: Informar-se previamente de todas as diligências que devem tomar, avaliar bem os prós e os contras (não somos todos iguais!) e avançar. O pior que pode acontecer é ter de voltar a Portugal… ;)

P.S.: Cumprimentos a toda a família Bwizer.

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