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“Os guerrilheiros da Saúde”

OFalar sobre as diferentes classes dos profissionais de saúde é um assunto sempre complicado de abordar. Qualquer coisa que uma classe diga sobre outra, é sempre tida como um ataque de lesa pátria. Qualquer fronteira profissional que um grupo tente atravessar, cai o Carmo e a Trindade. Não é tanto a competência técnica que importa mas sim a defesa da corporação. Consigo perceber a necessidade de protecção e nem vou entrar pela legitimidade dessa posição. O que acho mais interessante de aqui discutir, é a posição dos pseudo-intelectuais das diferentes classes, que lançam as tais atoardas que bem vistas, não passam de opiniões individuais de alguém que pretende defender mais os interesses pessoais que os do colectivo. E os seus interesses podem não ser muito mais do que alimentar os seus grandiosos e brilhantes egos.

Quando as pessoas, na busca desse brilhantismo, passam do partilhar para o exibir, perdem credibilidade, são ignoradas e mais grave, não defendem a classe que muitas vezes dizem que representam. A percepção de que somos brilhantes separa-nos dos outros, conduz-nos a um modo de pensar de sentido único em que nós somos os professores e todos os outros são os alunos. Queremos ter a primeira e a última palavra.

Se imaginarmos uma curva de distribuição normal, em que o eixo das abcissas representa o tempo e o eixo das ordenadas representa a nossa importância enquanto pessoas, queremos obviamente ser relevantes o mais depressa possível (subir até ao topo da curva) mas, existe um requisito para permanecermos lá em cima: manter a caixa da aprendizagem aberta. Quando o ego está em desequilíbrio, existe uma relação inversa entre acumular conhecimento e aprender. Quando a nossa confiança naquilo que sabemos aumenta ao ponto de pensarmos que temos muito pouco a aprender, somos menos recetivos e aí começa a curva descendente, em que a necessidade constante de aparecer e evidenciar-se demonstra o declínio da nossa relevância.

Como dizia um pensador francês: “Há pessoas tão cheias de si, que quando estão apaixonadas, acham maneira de se ocupar da sua paixão sem fazerem caso da pessoa a quem dizem amar”.

Pseudo-intelectuais assim, que se importam mais com eles do que com a classe que pretendem representar, existem em todas as profissões da área da saúde. Para os reconhecerem, basta estarem atentos às televisões, jornais e, onde se destacam mais facilmente, às redes sociais.

(Baseado no livro: “Egonomics” de David Marcum e Steven Smith – Manuel Paquete, é um dos co-fundadores da Bwizer e periodicamente irá contribuir para o enriquecimento deste espaço. )

Discussão

2 thoughts on ““Os guerrilheiros da Saúde”

  1. Grandes verdades para fazer ver a muitos profissionais que pensam que já sabem tudo e se acomodam ao “estatuto” sem procurar evoluir enquanto profissionais e seres humanos..na minha oponião um bom profissional é quem tem entusiasmo e gosta de se destacar pela positiva partilhando e cultivando informação,mas sempre com humildade e no sentido de expandirmos horizontes e ajudar o proximo e não criar uma “elite” dos tais pseudo-intelectuais intocáveis e que de intocáveis não têm nada pois como jà diz o ditado: quem vacila, cai! e esses são os primeiros a cair quanto mais não seja do altar. boas palavras Professor!

    Posted by Maria Costa | Janeiro 30, 2013, 22:03
  2. Parabéns pelo texto!

    Posted by Vânia | Janeiro 30, 2013, 00:03

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