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Actualidade, Fisioterapia, Manuel Paquete

O poder dos jovens Fisioterapeutas

ONuma altura em que o desemprego jovem atinge máximos históricos (em Portugal estamos nos 38% e em Espanha e na Grécia anda perto dos 50% (nos jovens até aos 25 anos)), não deixa de ser interessante uma reflexão que li da subdirectora do Diário Económico Helena Cristina Coelho (HCC). Afirma ela que existe uma geração que estudou mais do que os pais, viajam muito e falam vários idiomas, dominam as novas tecnologias e adaptam-se rapidamente às inovações e que, no entanto, o mercado nega-lhes emprego. Existem certamente várias razões mas uma das que me parece mais acertada é que Luís Filipe Pereira faz quando cita o historiador Niall Fergunson: “…aquilo que assistimos nos países ocidentais é que a actual geração de eleitores optou por viver à custa dos que ainda são demasiado novos para votar…”.

Fazendo o paralelismo para a área da saúde e mais concretamente para a fisioterapia, não poderia estar mais de acordo com o que escreve HCC. Nunca uma geração de fisioterapeutas foi tão qualificada. Nunca uma geração de fisioterapeutas apostou tanto na formação e no desenvolvimento das suas competências. Nunca uma geração de fisioterapeutas esteve tão preparada para curar pessoas. Ainda assim, entrar no mercado parece cada vez mais difícil. As clínicas denominadas convencionadas preferem manter os seus profissionais ainda que amorfos (refiro-me aos que nunca pós conclusão da licenciatura fizeram uma actualização de conhecimentos) do que optar por fisioterapeutas que acrescentam valor. Consigo até perceber quem gere esses espaços porque dar 10 minutos a um fisioterapeuta com elevado potencial para tratar um utente seria frustrá-lo ao fim de pouco tempo. Assim, é preferível deixar os tais amorfos, e perdoem-me a expressão, pincelar os franguinhos…

O problema para esses senhores é que as coisas estão a mudar. Perante o aumento dos custos na área da saúde exige-se cada vez mais uma prática profissional eficiente e que vá de encontro às necessidades das pessoas. Como tal, surgirão novas oportunidades para aqueles que acrescentem realmente valor. Se antes os utentes não se importavam de não ter grandes resultados porque também pagavam muito pouco ou mesmo nada, hoje em dia, com os novos valores das taxas moderadoras e com a crescente consciencialização dos seus direitos e acesso a informação, exigem resultados que satisfaçam as suas necessidades. Como dizia Darwin, os que se adaptam melhor à nova realidade são os que sobrevivem e os que foram mais fortes outrora e não se souberam adaptar, serão os que sucumbem.

Os tais que eram demasiado jovens para ter voto estão a fazer-se notar. Foram os que apostaram no seu desenvolvimento e agora que o fisioterapeuta começa a ganhar cada vez mais relevância na sociedade, veremos se não serão eles mais cedo ou mais tarde, os que conseguem voar!

(Manuel Paquete, é um dos co-fundadores da Bwizer e contribui periodicamente para o enriquecimento deste espaço. )

Discussão

One thought on “O poder dos jovens Fisioterapeutas

  1. Muitos Parabéns pelo artigo e por darem Voz a esta tão importante, mas ainda menosprezada, mui nobre profissão.
    Os ventos de mudança já sopram com mais força, rumo ao sucesso e ao reconhecimento justo da nossa missão.
    Bem hajam!

    Posted by Samuel Oliveira | Março 17, 2013, 02:54

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