//
Você está a ler ...
Hugo Belchior

32ª volta ao Sol

2013-03-20 10.06.53Esta entrada no nosso blog é, para mim, especial. Especial porque, no fundo, se trata de uma reflexão marcadamente pessoal, ainda que sobre a minha vida profissional, que resolvi levar a cabo, e partilhar, neste meu 32º aniversário.

Depois de uma licenciatura em fisioterapia cheguei à conclusão, não muito tempo depois, que a minha paixão era, claramente, o mundo dos negócios e das empresas. Foi por isso que, no cada vez mais longínquo ano de 2003 iniciei, a full-time, um MBA na então EGP, agora PBS. Passarão em breve 10 anos desde o início dessa mudança de carreira. 10 anos!

Pelo meio trabalhei na Optimus, um lugar de riquíssimas aprendizagens e uma empresa que deixei há mais de 6 anos, em Dezembro de 2006, precisamente para me dedicar ao meu primeiro projecto empresarial, a Belpac. Seguiu-se, a meio de 2008, a Bwizer e, mais recentemente, a Sinemys.

A primeira conclusão a que chego, quase 7 anos depois de iniciar esta aventura por conta própria, é que o primeiro ingrediente para fazer nascer alguma coisa e, sobretudo, para a manter viva, é o trabalho. A segunda, o sacrifício. Lamento se isto pode afastar alguém de uma perspectiva mais empreendedora mas, efectivamente, até hoje ainda não consegui descobrir uma outra forma, talvez mais inteligente, de fazer as coisas.

E partilho estas minhas reflexões precisamente porque uma das coisas que gosto de fazer é de espicaçar o espírito empreendedor. De todo o modo, espírito empreendedor só faz sentido se acompanhado de espírito de sacrifício e paciência.

Confesso que esperava que tudo tivesse acontecido mais depressa. Era o meu desejo. Ou talvez a minha fantasia. A verdade é que nem tudo corre sempre ao ritmo que desejaríamos. E não corre porque, barreiras ao sucesso, são inúmeras. Barreiras para as quais alerto os jovens (ou potenciais) empreendedores. E a primeira é bem clara: o nosso processo de aprendizagem e evolução. Se, ainda hoje, erro muitas vezes, tenho noção que já cometi muitíssimos erros, alguns de proporções significativas (a maior vítima, diga-se, fui sempre eu) que, obviamente, ajudaram a atrasar a evolução das coisas.

Depois, existe a escassez de capital. Uma situação em que cada euro mal gasto tem um impacto grande contribui, como facilmente se perceberá, para um ritmo de evolução mais lento.

Eventualmente mais importante que a escassez do capital, e ainda numa perspectiva de barreiras ao sucesso empresarial, existe o custo de oportunidade pessoal ou seja, aquilo que se deixa de ganhar (perspectiva meramente financeira) pelo facto de se estar a trabalhar por conta própria. É que, não haja ilusões, começar um negócio do zero e esperar haver possibilidade, desde esse momento, de pagar um ordenado ao próprio empreendedor, sendo porventura possível, não é fácil. É algo que eu, posso afirmar, nunca consegui e isso, acreditem, cria uma pressão enorme. Portanto, novo alerta: haja paciência. Paciência e confiança em que, um dia, o esforço será recompensado.

Existe ainda o contexto. Seja o contexto macroeconómico, seja o contexto competitivo mais directo. São variáveis que não se conseguem influenciar directamente e que, porventura, tornam todo o processo mais árduo. Mas, se alguém que quer ser empresário está à espera do momento certo para avançar, desde logo quando “a crise passar”, ou se está à espera de encontrar um sector de actividade sem concorrência, ou ainda se não fica à vontade em ambientes competitivos então, a actividade empresarial talvez não seja o seu caminho… Eu, confesso, adoro concorrência! Claro que, como qualquer empresário, rumo na tentativa de criar um monopólio (impossível, naturalmente) mas, se não fosse o desafio da concorrência, metade do prazer que trabalhar me proporciona, não o teria.

Sem TítuloAinda na reflexão sobre as dificuldades que um projecto empresarial enfrenta, realço uma última: os recursos humanos. Tenho hoje uma grande satisfação, e até orgulho, pelo trabalho que as equipas com quem colaboro, vão desenvolvendo. Mas, de novo, isso não se consegue em meia dúzia se semanas. É um processo de anos. Mas é, devo dizer, um processo extraordinariamente gratificante. Promover o crescimento das suas equipas deverá ser, na minha opinião, um dos papéis principais de um empresário. No meu caso, seguramente que com imensas falhas, essa é uma das principais preocupações. E, aproveito este momento para fazer uma homenagem sincera às cerca de 20 pessoas, entre colaboradores, prestadores de serviços e sócios que, neste momento, trabalham arduamente nos vários projectos em que estou envolvido. É, repito, uma satisfação grande poder não apenas assistir à evolução de cada um e ver como isso se reflecte na evolução dos projectos mas também, poder eu próprio continuar a aprender com todos.

É muito provável que tenha sido a nível da gestão de pessoas que tenha cometido os meus maiores erros. Umas vezes porque terei sido demasiado inflexível, outras, por não o ter sido suficientemente. O importante, ainda assim, é ir aprendendo ao longo do processo. E, o maior privilegio que este trajecto me tem trazido é, sem qualquer dúvida, a possibilidade de aprender.

É pois essa uma das razoes que, apesar das dificuldades que descrevi atrás, poderá justificar a opção por um caminho empresarial.

A esse processo juntaria uma outra vantagem: sentir que o nosso trabalho impacta realmente. Que não somos apenas uma gota, perdida num oceano. Depois, ver coisas que num primeiro momento apenas idealizamos, transformarem-se em realidade pode, realmente, ser algo mágico! Cada vez mais me maravilho com as coisas que, já sem a minha intervenção directa, vão surgindo… A título de exemplo, posso partilhar aquilo que aconteceu precisamente neste último fim-de-semana (16 e 17 de Março): a Bwizer organizou 5 cursos em simultâneo, em 3 cidades diferentes, Porto, Lisboa e Ponta Delgada. Impactámos directamente a vida de cerca de 100 pessoas que, acredito, ficaram um pouco mais bem preparados para a sua actividade profissional. E, confesso-vos, não tive acção directa na organização de nenhum dos eventos. Ver a “máquina” a trabalhar de forma autónoma e, sobretudo, sendo capaz de impactar positivamente a vida de tantos clientes, é uma sensação excelente!

Outra das vantagens de se estar no “mundo das empresas” são as oportunidades que surgem. É quase curioso mas, quantas mais coisas se fazem, quantas mais pessoas se conhecem, quantos mais projectos se empreendem, mais oportunidades vão surgindo. É uma espécie de ciclo virtuoso que se vai estabelecendo. Ainda recentemente me desloquei propositadamente a Madrid para uma reunião com um possível parceiro de negócio que nos contactou directamente porque conhecia o trabalho que fazíamos em Portugal e estava à procura de uma empresa com as nossas competências… Veremos no que, esta oportunidade em concreto, dará; o que é certo é que ela só surgiu porque vamos fazendo um conjunto de coisas que, sem sabermos, foram preparando o terreno para surpresas assim.

Agora, cuidado, um empresário é, por definição, alguém que arrisca. E se arrisca, obviamente com a perspectiva de ser bem-sucedido, tem igualmente que estar preparado para o fracasso. E o fracasso está sempre, sempre, a apenas um passo de distância.

E eu, se agora, passados quase 7 anos do início da minha aventura empresarial, estou a viver uma fase mais estável, com alguns projectos a fazerem o seu trajecto, tenho total consciência que estou ainda longe do patamar que justificará todo o esforço. E, se olhar para trás, consigo ter noção que houve momentos bem difíceis, em que a sobrevivência de alguns projectos esteve por um fio… São momentos de grande angústia, angústia directamente proporcional ao número de pessoas que connosco trabalham. São momentos duros mas que, ao serem ultrapassados, dão muito mais sabor a esta jornada.

E é também por isso que tenho que chegar à conclusão que estes 32 anos têm valido bem a pena!

Vemo-nos por aí,
Hugo Belchior.

Discussão

3 thoughts on “32ª volta ao Sol

  1. Pelo sonho é que vamos ,comovidos e mudos.Chegamos? Basta a fé no que acreditamos,basta que a alma demos..partilhando trabalho,esforço e criatividade.
    Continuar com a curiosidade e a persistência de quem sabe que a atitude de quem sonha… marca a diferença é um desejo que partilho.
    vemo-nos por ai…MJ

    Posted by mja | Março 28, 2013, 02:20
  2. Excelente reflexão. Inspiradora!

    Posted by Manuel Paquete | Março 21, 2013, 15:01
  3. Gostei! Nota-se que foi sentido! Desejo-te a continuação das maiores felicidades e que esse teu espírito nunca esmoreça!…

    Deixo-te 32 abraços!

    Ass: Vento quente do deserto!

    Posted by Siroco | Março 20, 2013, 21:56

Participe! Deixe um comentário ...

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: