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É Profissional de Saúde? Não se esqueça da multidisciplinaridade!

JLSe é extraordinariamente corporativo, aconselho-o a não ler as próximas linhas. A não ser que seja corporativo, mas em simultâneo, tenha o espírito suficientemente aberto para pelo menos ler opiniões distintas.

É assim que faço, desde já, uma declaração de interesses: sou contra extremismos corporativos. Não entendo Enfermeiros que desprezam Fisioterapeutas, Fisioterapeutas que fazem vida a lutar contra Enfermeiros, Médicos que unem esforços para limitar técnicos de saúde, etc. etc. etc.

Por duas razões principais: i) porque como profissional de saúde, o seu objetivo principal deverá ser o de colocar o paciente no topo da pirâmide de interesses; ii) porque numa época em que os cuidados e cuidadores de saúde são crescentemente questionados, só a união de todos eles contribuirá para uma melhor prestação de serviços e para melhores condições de trabalho.

A pirâmide de interesses que referi é por vezes esquecida. Muito embora uma Declaração que gosto sempre de citar (Helsínquia) caminhe nesse sentido: “o bem-estar do ser humano deve ter prioridade sobre os interesses da ciência e da sociedade”. É portanto o paciente que deve ser o grande foco do profissional de saúde. Como? Através da união e multidisciplinaridade na prestação de cuidados.

Quanto aos cuidados de saúde como os conhecemos, eles estão de facto ameaçados. Por exemplo, é assumido que a sustentabilidade do Sistema Nacional de Saúde não está assegurada no longo prazo. E se não está é porque este foi acometido de má gestão por parte de todos os players desta área: Governos, Gestores Hospitalares, Prestadores. Porque a sustentabilidade está intimamente ligada à excelência, são precisas gestões mais cuidadas e racionais. Mas numa área crítica como a saúde, é importante que tal não se faça à custa das condições de prestação de um bom serviço. Para que tal não aconteça é preciso que os profissionais das várias áreas se conheçam, assim como ao trabalho uns dos outros, e unam esforços para que a posição dos cuidadores seja levada em linha de conta. Mais uma vez: união e multidisciplinaridade.

Transpondo toda esta temática para a área da formação, onde a Bwizer assume cada vez mais um papel relevante em Portugal, é-me difícil entender que ainda existam profissionais de saúde que se foquem na exclusividade de formação avançada, como uma bandeira hasteada. A palavra “exclusivo” pode ser perigosa. E pode ser perigosa porque encerra em si mesma uma espécie de casulo que coloca dificuldades de libertação a quem nela se abriga frequentemente.

Naturalmente que existem técnicas e especialidades exclusivas em todas as profissões qualificadas, qualquer que seja a área de atividade. Essas devem ser defendidas, não diretamente porque a sua classe profissional vai beneficiar dessa política, mas sim porque o paciente vai ser mais bem tratado caso seja o profissional mais bem preparado a supervisionar a sua condição específica. Não vejo ninguém melhor que, por exemplo, um Terapeuta da Fala para intervir na linguagem, que um Médico para conduzir uma cirurgia, que um Enfermeiro para prestar um primeiro cuidado, ou do que um Fisioterapeuta para recuperar funções pelo movimento.

É por isso que na Bwizer também temos formações exclusivas. Mas não acabamos ali. Nem queremos ser tão limitadores connosco próprios. Como players na área da saúde que somos, temos uma visão global ao invés de ficarmos perigosamente presos num compartimento fechado.

Se muito provavelmente vai trabalhar em contexto multidisciplinar (ou pelo menos vai ter pacientes cujo tratamento necessitará de interlocução com outro profissional de saúde de uma classe diferente), porquê evitar o momento formativo que agrupa a sua profissão com outras diferentes? Porque não aproveitar esses momentos de menor pressão, fora de contexto marcadamente profissional, para conhecer melhor o trabalho dos outros, as suas visões sobre o sector, a sua experiência? Certamente que se tornará num profissional melhor e mais capaz. Já imaginou o que seriam os Beatles se John Lennon e Paul McCartney nunca tivessem ensaiado juntos?

Contribua para a afinação do nosso Sistema de Saúde, partilhe conhecimento e orquestre da melhor forma a melhoria do paciente como ser holístico. Conhecer e saber atuar em contextos multidisciplinares certamente que o ajudará nessa tarefa.

(José Lemos é Marketing Manager na Bwizer, e periodicamente contribuirá para o enriquecimento deste espaço)

Discussão

2 thoughts on “É Profissional de Saúde? Não se esqueça da multidisciplinaridade!

  1. Uma declaração sensata e necessária numa altura em que existe uma grande luta entre profissionais para delimitarem as suas áreas de actuação.
    E o utente é o que recebe as consequências dessa luta.
    Obrigada

    Posted by Ana Isabel Temudo | Abril 1, 2013, 17:36
  2. Excelente texto e mentalidade. Em prol da cooperação entre disciplinas, em detrimento da competição desenfreada entre as mesmas, esquecendo-se do que mais importa na verdade.
    Cumprimentos

    Posted by Samuel Oliveira | Março 29, 2013, 22:50

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