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Bwizer, Cursos, Emigração, Emprego

Um profissional de saúde em França – entrevista com Fátima Moreira

bayonne

Estando ao corrente do contínuo interesse que a temática da emigração desperta na sociedade portuguesa, mais especificamente na área da saúde, a Bwizer decidiu entrevistar a Enfermeira Fátima Moreira, uma antiga aluno do curso de Francês para Profissionais de Saúde.

A Fátima Moreira foi uma das alunas que se destacou ao longo da formação, e enfrentou um processo de emigração para França já durante o ano de 2013. Ao longo das próximas linhas podemos beber um pouco da experiência de mais uma profissional que, no estrangeiro, continuou o seu percurso profissional.

Há quanto tempo está em França?

Estou em França desde o dia 23 de Fevereiro. Vim para o sul, porque tenho cá familiares a viver à muitos anos e então decidi procurar emprego aqui. O início  é sempre muito complicado, e a língua sempre o mais complicado de tudo. Vim sem nenhum contrato de trabalho, vim à procura de trabalho por conta e risco, mas uma semana depois de ter deixado o meu CV por todo o lado recebi uma chamada para ir trabalhar, apenas por uma noite para fazer uma substituição. A partir daí, as chamadas começaram a ser constantes. Tenho por isso um percurso diferente de muita gente, pois as pessoas quando vão para o estrangeiro já vão com um contrato de trabalho. Eu vim sem nada, não tinha contrato, não tinha contactos em lado nenhum, vim à descoberta.

Em que cidade está a trabalhar?

De momento estou a trabalhar em Bayonne, num lar que tem 80 residentes onde fui muito bem acolhida por todas as pessoas.

Como tem sido a experiência laboral nesse país? É muito diferente de Portugal?

Como me encontro a trabalhar num lar é um pouco diferente do que estava habituada pois os estágios durante o meu percurso académico foram todos inseridos em contexto hospitalar. Mas em todo o caso todas as técnicas de enfermagem são iguais ao que estava habituada a ver e a fazer.

É bom viver em França?

A qualidade de vida é muito boa, eu gosto muito de onde estou a viver. Hasparren (a 20 minutos do local de trabalho), é uma vila pequena mas acolhedora.

Voltava a tomar a decisão de emigrar?

Sim! Portugal não me deu aquilo que preciso e para o qual investiu em mim: trabalho. Toda a minha vida estudei em escolas publicas, o estado investiu em mim toda a minha vida, gastou muito dinheiro para me formar como pessoa, ser humano e como enfermeira para eu agora vir dar tudo de mim para um país que aposta em pessoas jovens e que não tem medo de dar emprego a uma emigrante portuguesa, acabada de chegar. Isso no fundo deixa-me orgulhosa, mas ao mesmo tempo deixa-me profundamente triste saber que o meu país não me deu esta oportunidade.

Até que ponto é importante dominar a língua francesa para uma boa integração?

Dominar a língua é extremamente importante mas nunca se domina o suficiente, existem sempre certas lacunas que com o tempo serão ultrapassadas.
Enquanto estava no curso da Bwizer aprendi muita coisa, pequenos pormenores que podem fazer toda a diferença,  mas só quando aqui  cheguei é que me deparei com as minhas verdadeiras dificuldades, que eram bastantes. A compreensão é sempre muito mais fácil, mas falar é muito muito complicado, porque na minha cabeça penso em português, faço a tradução e falo ao mesmo tempo e este tipo de raciocínio é muito difícil pois tem que ser tudo muito rápido. Claro que com o tempo a fluidez do discurso acaba por aparecer naturalmente mas as primeiras semanas sao muito complicadas.
Em todo o caso o curso de francês que fiz na Bwizer ajudou-me e muito e recomendo vivamente a quem quer emigrar para o estrangeiro a fazê-lo também. A professora Filomena Gonçalves, além de uma excelente pessoa é muito profissional e competente o que facilita muito a aprendizagem dos alunos.

Sente-se à vontade com o seu francês?

Agora, passados quase dois meses de estar em contacto permanente com a língua, sim estou à vontade, consigo facilmente estabelecer uma conversa, embora tenha a perfeita noção de que ainda tenho muito que aprender. Mas vou ter tempo para isso, pois a intençao é ficar por cá uns bons largos anos.

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