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33ª Volta ao Sol (por Hugo Belchior )

Caros amigos,

Há um ano resolvi escrever um pequeno texto a pretexto do meu 32º aniversário. Como achei a experiência interessante, hoje, que termina a minha 33ª volta ao sol, repito o exercício. Tratando-se de um texto que partilho, a sua única relevância poderá estar na apresentação de reflexões pessoais que possam, de alguma forma, interessar a terceiros.

Contarei alguns episódios rápidos que já vivi, para assim ilustrar algumas ideias que me parecem chave quando se pensa num percurso de criação de um negócio próprio, aquilo que, enquanto alguém que tem uma formação de base na área da saúde, me poderá talvez distinguir.

hugo2Aqui há uns anos, era já sócio e gerente de duas empresas, quando a dívida de clientes era tão elevada que, se parte significativa da dívida não fosse paga no mês seguinte, entraríamos em falência. Os meses em que a dívida teimava em não desaparecer foram meses de angústia. Muita angústia. Pensei que poderia ser o fim daquele projeto. Ainda por cima, apenas porque os clientes não pagavam a horas. Apesar de tudo isso, havia que continuar a gerir a empresa, cumprir a nossa missão e pagar os vários salários… Felizmente essa situação foi ultrapassada, pudemos respirar de alívio e concentrar-nos novamente no crescimento.

Lição: há que ser resiliente. Não há outra hipótese porque nem tudo vai correr bem. E o incrível é que a resiliência só nos garante a energia até à próxima curva. Outras se seguirão…

Quando iniciei a Bwizer, alguém que já estava neste mercado disse-me, com um sorriso algo arrogante:

– Vocês não têm hipótese!

Afinal, conseguimos sobreviver até agora e, inclusivamente, ganhar uma posição de destaque no setor.

Lição: não estar à espera que toda a gente queira o nosso sucesso – isso é verdadeiramente impossível. E agradecer os sorrisos arrogantes; só ajudam. :)

Há uns meses atrás, recebi uma chamada de um formador espanhol. Estava com alguém que ele conhecia e que procurava contactos com um determinado perfil em Portugal. Troquei uns emails breves com essa pessoa. Aquilo que ela me disse num primeiro momento pareceu-me interessante pelo que lhe enviei um documento em que apresentava a Bwizer. Disponibilizei-me logo para ir a Madrid conhecê-la e conhecer o projeto. Os contactos foram-se aprofundando, o que justificou a vinda a Portugal do diretor internacional de vendas. Retribuímos rapidamente, e eu e outro colega fomos à Suíça fechar acordo. Foi assim, de forma aparentemente tão singela, que surgiu a nossa ligação à Human Tecar. Uma ligação que, acredito verdadeiramente, vai ser muito relevante.

Lição: estar disponível para agarrar oportunidades e sobretudo, quando surgem, agir rapidamente.

Em 2003 despedi-me do local onde trabalhava como Fisioterapeuta. Tinha aquilo que se poderia classificar como “emprego seguro”. De um dia para o outro fiquei sem qualquer fonte de rendimento e ainda tinha que pagar o MBA em que entretanto me inscrevera.

Todas as minhas poupanças de dois anos de trabalho se esgotaram. Todas.

No fim do MBA os meus pais deram uma ajuda; estava financeiramente exaurido. Comecei a trabalhar na Optimus em Agosto de 2004. Foi uma experiência fantástica mas, a certa altura, senti que devia mudar de vida. Despedi-me em Dezembro de 2006. Tinha, claramente, um emprego seguro. Saí para iniciar o meu primeiro projeto empresarial. De um dia para o outro estava novamente sem qualquer rendimento. Zero. E ainda tinha que financiar o arranque da minha empresa – com outro sócio, o Manuel Paquete.

Durante muito tempo não ganhei qualquer dinheiro pessoalmente. E, novamente, gastei todas as poupanças que entretanto tinha conseguido fazer. Tive que ter um controlo férreo dos meus custos pessoais. Não foram tempos fáceis. Mesmo hoje, os lucros das empresas têm sido tipicamente reinvestidos. A Bwizer, por exemplo, nunca distribuiu qualquer dividendo aos sócios.

Lição: há que pensar muito bem se se está preparado para passar por tudo o que um negócio próprio pode implicar, desde logo a nível pessoal. Se não tiver a certeza, nem vale a pena começar. Vai desistir à primeira.

O mercado da formação em Portugal esteve sempre muito dependente de formadores  estrangeiros. Considerei, desde o primeiro momento, que não “tinha” que ser assim. Achava que tínhamos conhecimento suficientemente sólido no país para não termos “apenas” de importar. Desafiámos vários profissionais a tornarem-se formadores. Orgulho-me disso. Demos palco a novas pessoas. Mostrámos que continua a ser possível criar oportunidades. Pelo meio, conseguimos até convencer entidades internacionais a apostar em formadores portugueses – não foi fácil.

Apesar de ser uma opção claramente vencedora, nem tudo correu bem. Situações houve em que, de forma demasiado rápida, as partes divergiram. Cada parte terá a sua versão, naturalmente. Eu, certamente, poderia ter sido mais flexível aqui e ali, contudo, penso que algumas dessas pessoas, algumas vezes, tiveram muita dificuldade em ajustar-se às exigências e restrições de uma realidade empresarial, muito provavelmente por estarem muito habituadas a ambientes protegidos. Ambientes sem concorrência.

Lição: não vale a pena contar com qualquer tipo de “gratidão”, mesmo quando se contribui para potenciar a carreira de alguém de forma óbvia. Definitivamente, essa não é a moeda de troca no mundo “real”.

Estive já em diversas situações na minha vida em que alguma coisa me dizia para não estabelecer relação com uma determinada pessoa, fosse ela potencial colaborador, fornecedor, formador ou parceiro mas que, como não havia razões objetivas para não avançar, as coisas avançaram. Nunca correram bem. Nunca. E corrigir depois é muito pior do que nem começar.

Lição: confiar mais na sua intuição.

Faço hoje 33 anos. Lancei a minha empresa aos 25. Já criei 3, sendo que vamos agora encerrar uma. Não correu bem. Neste momento, entre as duas que coordeno, colaboram, diretamente, pouco mais de 20 pessoas. Geramos já um volume de negócios que não é desprezível. E, sobretudo, impactamos a vida de milhares de pessoas por ano.

Ainda assim, tudo isto está abaixo do que eu quero – sou ambicioso, é verdade. Apesar de tudo, é já alguma coisa. E, uma coisa é certa: independentemente de todas as dificuldades do processo, algumas das quais tentei ilustrar ao longo do texto, acho sinceramente que a via da criação de um negócio próprio é bem mais fácil do que às vezes se possa pensar. Está à espera de quê?

Hugo Belchior

CEO Bwizer

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