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Dos Cuidados Paliativos à dignidade na morte

Nunca antes se tinha falado tanto da Eutanásia, morte assistida, morte com dignidade e todos os sinónimos que daí advêm.

A conversa que se foi adiando, ganhou forç0,,16104454_303,00a com o caso de Brittany Mynard, jovem americana de 29 anos, a quem diagnosticaram um cancro cerebral terminal e lhe deram apenas 6 meses de vida.

Tendo pleno conhecimento do que a esperava com o desenvolver da doença, Britanny marcou o dia da sua morte: dia 1 de Novembro de 2014. Não queria deixar de ser ela própria e de ter controlo sobre o seu próprio corpo, efeitos secundários do seu diagnóstico: glioblastoma.

Mudou-se para o Oregon, onde a morte assistida foi legalizada, e anunciou a intenção de pôr termo à vida num vídeo visto por milhões de pessoas em todo o mundo, tornando-se viral, e que desencadeou nos Estados Unidos um debate nacional sobre o direito à eutanásia – o direito a morrer com dignidade numa data previamente escolhida.

A controvérsia instalou-se: para a Igreja Católica esta é uma solução inviável, porque acreditam que “cometer suicídio não é uma coisa boa, é uma coisa perversa, porque é dizer não tanto à própria vida quanto a tudo o que significa respeito pela nossa missão neste mundo e por aqueles que nos são próximos“.

Tema que divide também a comunidade científica, a eutanásia não é, nem deve ser vista, como algo meramente científico, pois mexe com as crenças de cada um, mesmo dos profissionais de saúde envolvidos nestes casos, a quem muitas vezes lhes falta a formação para intervir nesta área.

Saber fazer as questões certas aos pacientes, perceber as suas expectativas e não pensar somente no “melhor cenário”, mas sim saber encarar com naturalidade a possibilidade da cura não existir, são essenciais para os profissionais que intervêm nesta área.

Com o movimento da “morte com dignidade” há uma mudança de paradigma na prestação de cuidados de saúde: não se aplica o “vale tudo para salvar uma vida”, mas sim o “cuidar”, “apoiar” e “intervir” com o objetivo de proporcionar a melhor qualidade de vida possível para o paciente.

O caso de Brittany choca. Sem dúvida que sim… Porque se trata de uma jovem, aparentemente saudável, com muita vida para viver que, de um momento para outro, vê-se confrontada com a sua própria morte (precoce) e tem de tomar uma decisão.

A dignidade também é isso… Liberdade, poder de escolha. Saber que podemos escolher como queremos viver a nossa vida e poder decidir sobre ela, seja essa decisão qual for… Fica ao critério de cada um de nós. Foi o que Britanny fez dia 1 de Novembro de 2014.

Para o profissional de saúde põe-se aqui o desafio: a transferência de poder para o seu paciente. Apresentar-lhe as opções, ser honesto e, sobretudo, saber falar da morte.

A Eutanásia, em Portugal, vive uma situação jurídica ambígua, sendo vista como um tema tabu do qual as pessoas no geral não gostam de falar.

Legalmente, os médicos são os responsáveis pela morte do doente, são eles que proc70edem à realização da sua morte. Segundo o seu código deontológico, “constituem falta deontológica grave quer a prática (…) da eutanásia” mas em contra partida afirmam no ponto 4 do mesmo artigo que “não é (…) considerada Eutanásia, para efeitos do presente artigo, a abstenção de qualquer terapêutica não iniciada, quando tal resulte de opção livre e consciente do doente ou do seu representante legal”.

Em Portugal, tem-se verificado um crescimento acentuado dos cuidados paliativos. O número de unidades especializadas multiplicam-se, no entanto, são ainda consideradas insuficientes, assim como a de profissionais com formação nesta área.

Sendo a formação imperativa para intervir nesta área tão especial, foi esta a razão que esteve na base da criação do curso de Cuidados Paliativos. Este é um curso que pretende dar ferramentas aos profissionais de saúde, diferenciando-se pela sua componente prática, a sua aposta no raciocínio clínico e a oportunidade de interagir e beneficiar da experiência de uma equipa de formadores experts na área.

Curso de Cuidados Paliativos em Lisboa. Descubra tudo aqui: http://bit.ly/1rkkjbp.

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