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O uso da Terapia Manual no tratamento da Plagiocefalia | por Sofia Milhano

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A Plagiocefalia é o termo médico usado  para designar uma assimetria crâniana, onde existe um “achatamento” de um dos lados da cabeça do bebé, dando um aspeto de crânio oblíquo.

A Plagiocefalia pode ter diferentes causas, como por exemplo, o recém nascido pode apresentar de imediato esta assimetria devido ao seu posicionamento viciado intra-úterino ou desenvolve-la nos primeiros meses de vida, por ficar deitado na mesma posição durante longos períodos de tempo sem assistência. A esta deformidade chamamos de Plagiocefalia posicional.

Acontece que normalmente existe uma tendência em apoiar mais um lado do que o outro da cabeça o que acaba por originar uma assimetria nos ossos do crânio que ainda se encontram em desenvolvimento. Ou seja, a Plagiocefalia é desencadeada por forças mecânicas extrínsecas, que alteram a forma do crânio, e isto só é possível devido à plasticidade craniana.

Em certos casos, esta deformidade sofre uma regressão espontânea com o passar do tempo, no entanto, outras vezes com o crescimento ósseo do crânio, a deformidade aumenta podendo trazer consequências graves no desenvolvimento do bebé.

Outras causas da Plagiocefalia podem começar por um parto difícil, onde a cabeça do bebé sofra grandes trações ou compressões externas, como por exemplo o uso de fórceps, ou até mesmo a passagem demasiado prolongada pelo canal do parto, moldando os ossos cranianos assimetricamente; outra das causas, é o torcicolo congénito, onde a tensão assimétrica que o esterno-cleidomastoideu impõe, contribui para uma deformidade occipito-temporalO fecho prematuro de uma das suturas cranianas, ou seja a craniossinostose, pode ser ainda uma das causas mais graves de Plagiocefalia.

No entanto, as causas são inúmeras e podem produzir-se pré ou pós natal. Pélvis maternas pequenas, fetos com cabeças demasiado grandes, gravidez múltipla, apresentação transversal do feto, alterações na quantidade de líquido amniótico, são apenas algumas das possibilidades que podem ser causas da Plagiocefalia.

Existem evidências ciêntificas que demonstram que a Plagiocefalia produz alterações crânio-faciais e outras sequelas que podem ser irreversíveis e não apenas um problema meramente estético. Como por exemplo, alterações na visão, cefaleias gerais, má-oclusão dentária, estrabismo, dores na articulação temporomandibular, alterações ou atrasos no desenvolvimento psico-motor da criança,  presença de escolioses ou alterações posturais entre outras.

IMG_3047O diagnóstico da Plagiocefalia é relativamente fácil. É essencialmente objetivo, observando-se o topo da cabeça do recém nascido e facilmente é detetado pelos pais. A observação de face também pode mostrar alterações na simetria da cara. A avaliação da mobilidade cervical é importante para constatar a presença de torcicolo que pode ser a causa ou consequência da Plagiocefalia. E ainda dependendo da gravidade, podem ser feitas medições do crânio que nos indicam o grau da Plagiocefalia.

O tratamento destes casos deve começar pela prevenção. É importante esclarecer os pais e comunicar as recomendações que devem ser feitas principalmente durante os dois primeiros meses de vida, pois os conselhos de reposicionamento do bebé, poderão diminuir ou evitar  possíveis deformações cranianas. A partir dos 4, 5 meses de vida, o lactante já tem capacidade de regular a sua própria posição, por isso não necessitar de tantos cuidados nesta altura.

É importante considerar que existe um crescimento craniano bastante rápido nos dois primeiros anos de vida, e que mais de 50% dos casos de Plagiocefalia são reduzidos apenas com medidas cautelosas de posicionamento, embora, existem alguns casos que pioram com o tempo.

Em casos mais graves, o uso de ortóteses cranianas (capacete) é controverso. Existem ortóteses passivas/ativas ou dinâmicas. Não restringem o crescimento normal e requerem utilização diária por períodos prolongados (cerca de 23 horas por dia), com uma duração média de 13 semanas, e têm maior beneficio quando usadas entre os 4 e os 9 meses, sendo pouco eficazes depois dos 12 meses. No entanto o impacto psicológico é uma clara desvantagem para o seu uso, assim como o desenvolvimento de úlceras de pressão, entre outros problemas.

Por outra via, o tratamento da Plagiocefalia com o uso da terapia manual, a mobilidade craniana é estudada e devolvida quando ausente. Através das mãos, do tato, da sensibilidade do terapeuta são constatados bloqueios ou alterações no movimento fisiológico entre as suturas cranianas, durante a avaliação manual, podendo ser assim devolvida.

Para o desenvolvimento normal psico-motor da criança, a mobilidade fisiológica dos ossos cranianos é fundamental, evitando consequências graves no futuro a vários níveis, quer estruturais quer funcionais.

IMG_2949As técnicas manuais são suaves, agradáveis, relaxantes, e procuram o equilíbrio e o relaxamento de todas as estruturas que estão em tensão e com bloqueios de movimento. Com o uso destas técnicas, não só é devolvida a simetria craniana, graças à plasticidade e ao crescimento dos ossos do crânio, como é devolvido o movimento fisiológico garantindo assim um normal desenvolvimento pisco-motor da criança, um benefício evidente da terapia manual em relação ao uso do capacete, que apenas poderá devolver alguma simetria ao crânio.

– Texto da autoria de Sofia Milhano, formadora Bwizer do curso de Osteopatia Pediátrica, de regresso ao Porto já em Maio! Saiba mais aqui: http://bit.ly/1HcJtvp.

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