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Dia Mundial da Dança | por Helena Carvalho

253929_10150193955986555_3675037_nEu, Helena Carvalho, licenciada em fisioterapia desde 2003, fiz, desde então, de tudo um pouco nas diferentes áreas de intervenção, desde fisioterapia ao domicílio, trabalhar em clínicas convencionadas, em clínicas privadas, no desporto…E, desde 2011, por intermédio da Fisiogaspar, desenvolvo o meu trabalho na Companhia Nacional de Bailado!

Trata-se de um grupo heterogéneo e com muitas particularidades.

São cerca de 80 bailarinos, dos 18 aos 55 anos, das mais variadas nacionalidades, mas maioritariamente portugueses. Falam-se várias línguas, sendo o português, o inglês, o espanhol e o francês as mais frequentemente ouvidas.

O conhecimento de línguas e a capacidade de adaptação a pessoas com diferentes tradições, culturas e experiências tornaram tudo mais interessante, mas foram e são, também, um grande desafio.

10731171_10152724798101555_9141780572036314015_nÀ semelhança entre a prática desportiva recreativa e a profissional, também o dançar nas horas livres ou fazer disso uma profissão é muito diferente.

Para mim, a dança alia a arte ao desporto. É uma modalidade onde a actividade física tem uma forte componente artística. É uma profissão que leva o corpo a amplitudes de movimento extremas, a sofrer contínuos traumatismos de todo o tipo e a muitas lesões de desgaste.

Normalmente, os bailarinos profissionais começam muito jovens e, embora a dança seja uma profissão de desgaste rápido, quando é tempo de parar, os bailarinos contam já com uma longa carreira, ao longo da qual as lesões vão sendo uma constante e, praticamente, inevitáveis, dada a natureza do seu trabalho.

A fisioterapia assume, pois, um papel muito importante, que merece ser explorado e desenvolvido nesta área de actuação, por forma a que a reabilitação seja realmente funcional e adaptada à especificidade dos gestos técnicos e reais necessidades destes profissionais.

Como fisioterapeutas, podemos contribuir não só para que lesões maiores sejam evitadas, mas também para minimizar o seu impacto na performance artística, as suas consequências, a nível pessoal e institucional, e assegurar o regresso, rápido e seguro, dos bailarinos aos ensaios e aos palcos, sem colocar em risco a sua integridades física, o seu bem-estar ou as suas carreiras profissionais.

10363689_10152044769926555_5914103090638644402_nPorém, acompanhar diariamente estes bailarinos implica ter que trabalhar em qualquer dia da semana, à segunda e ao domingo, de manhã e à noite, no gabinete do costume ou num qualquer camarim, palco ou estúdio, ora porque se está em ensaio, ora porque é espectáculo, ora porque se vai em digressão.

Não há rotinas, os horários não são os habituais e a disponibilidade e entrega têm que ser totais.

Trabalhar a tempo inteiro com estes profissionais permite que haja uma relação de grande proximidade e cumplicidade, mas obriga também a que haja confiança, construída numa base diária e contínua, e acarreta muita responsabilidade.

Nesta área há disciplinas que são transversais às demais áreas de intervenção da fisioterapia e que, há semelhança do desporto, assumem especial relevância na dança: avaliação, diagnóstico e raciocínio clínico, prescrição do exercício, fisiologia do exercício, psicologia, nutrição, entre tantas outras.

No entanto, um dos grandes desafios passa pela inexistência de uma, “verdadeira”, equipa clínica, que aqui se resume a uma fisioterapeuta e um osteopata, em que qualquer um de nós actua como profissional de primeiro contacto, essencialmente na área das patologias músculo-esqueléticas, e faz de tudo um pouco, desde a avaliação, ao tratamento propriamente dito. O gabinete funciona não como numa clínica, mas essencialmente como um apoio aos bailarinos, servindo não só de local de tratamento, mas também de encontro, conversa e muitos desabafos.

Isso obriga-nos a ser polivalentes e estar preparados: não há dias iguais!

Os tratamentos mais comummente aplicados vão desde: a Terapia Manual e Osteopatia, à Massagem Desportiva, aos Trigger Points, às Terapias Miofascias, ao Stretching Global Activo, ao Pilates Clínico, às Ligaduras Funcionais, às Bandas Neuromusculares, à Electroterapia… até à simples aplicação de gelo e tratamento de escoriações!

Ninguém sabe sempre tudo sobre tudo e eu não sou excepção! Por isso, considero que a actualização, aquisição e desenvolvimento de conhecimentos e competências, nas mais variadas áreas, é fundamental e deve ser uma constante na vida de qualquer profissional de saúde.

10730949_10152400281831555_4321651045522833037_nOutra particularidade é que a frequência e a regularidade dos tratamentos são muito variáveis, assim como a natureza dos mesmos, pois as queixas são múltiplas e muito diversas e estão dependentes, não só, da minha disponibilidade horária, do osteopata e dos bailarinos, mas também do tipo de ballet que está a ser preparado, i.e., se é clássico ou contemporâneo.

Independentemente disso, aqui não há excepções e os resultados querem-se para ontem, porque “the show must go on”!

Considero, pois, ser um privilégio poder partilhar o backstage com estes bailarinos, e demais profissionais, que contribuem para que o espectáculo seja isso mesmo e faça jus ao nome.

Sobretudo sabendo que há todo um lado menos belo e mágico, além do que é visível em palco. Que há todo um trabalho diário e contínuo de muito suor, dedicação e inspiração. Que há todo um lado negro, onde hematomas, flictenas, escoriações, contracturas, fracturas e um sem número de lesões e mazelas, são camufladas pelo brilho das luzes, ocultas pelas roupas, disfarçadas com maquilhagem e por um sorriso no rosto, próprio dos profissionais!

A todos eles dedico este artigo, no dia que lhes pertence: o “Dia Mundial da Dança”.

A Companhia Nacional de Bailado celebra este dia com o ballet clássico “Giselle”, em exibição de 29 de Abril a 10 de Maio de 2015, no Teatro Camões.

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IMG_20150428_175153Nota aos meus colegas de profissão:

Não há truques, não há segredos. Há trabalho e oportunidades.

Um percurso formativo, auto-didacta ou certificado, devidamente, estruturado e orientado, é meio caminho para o sucesso. Deve, porém, estar, não só, alinhado com os interesses individuais do fisioterapeuta, mas ir ao encontro das reais necessidades dos seus utentes e às tendências de mercado na área da saúde e, nomeadamente, da fisioterapia.

A outra metade passa por ser intuitivo e corajoso, para aprender a reconhecer as oportunidades e saber agarrá-las, sendo inteiros e colocando o nosso melhor em tudo o que fazemos.

– texto da autoria de Helena Carvalho

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