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Redes sociais: nós e os outros | por Manuel Paquete

Redes sociais- nós e os outrosQuando Sir Timothy Berners-Lee criou a World Wide Web, estaria longe de perceber toda a revolução que estava a criar a nível comunicacional e de relacionamento social. A rápida difusão de informação e consequentemente de conhecimento, permitiu a aproximação entre lugares e pessoas. O surgimento mais tarde das redes sociais, potencializaria ainda mais essa aproximação, tornando visíveis todas as pessoas, mesmo as que não tinham esse desejo.

O Facebook, entre outras coisas, permite aos seus utilizadores exprimir as suas vontades, os seus desejos e as suas angústias, criando-se dessa forma algumas simbioses entre as diferentes pessoas e que levam algumas vezes a projectos bem interessantes. Mesmo a crítica, quando construtiva e bem intencionada ajuda no desenvolvimento do conhecimento.

Diferente é a utilização das redes sociais para as críticas destrutivas, acéfalas, carregadas de miasmas de desprezo. Isto é muito mais frequente do que o que imaginamos e mesmo nós, uma vez ou outra, dominados pela insensatez, já acabamos a representar esse papel.

As nossas verdades são as universais e as dos outros são simples histórias enviesadas e maliciosas. Quando se discute no futebol a atuação de um árbitro, quando se juntam enaltecedores e detractores da tauromaquia ou quando as cores políticas se cruzam, isso é desnecessariamente evidente.

Na defesa das suas corporações, alguns profissionais de saúde também se têm ensaiado nessas artes da vulgaridade. Assiste-se a um investimento de ódios recíprocos na defesa do espaço de cada um, esquecendo-se que quem define muitas vezes esse espaço é o cliente. Assisto nas redes socias à critica feroz dos fisioterapeutas aos massagistas, que quais vigaristas ficam com os clientes dos primeiros, testemunho os ataques aos enfermeiros de reabilitação que, por pertencerem a uma classe muito poderosa, mais cedo ou mais tarde serão os barões da reabilitação. Vejo também os fisioterapeutas a queixarem-se de outros fisioterapeutas, quais Judas, que se submetem a receber valores/hora tão ridículos que fazem com que a classe seja ostracizada pelos patrões das clínicas de Medicina Física e Reabilitação.

A existência de massagistas, de enfermeiros de reabilitação e de patrões exploradores da classe só dá força aos fisioterapeutas. São as poucas competências dos massagistas que fazem com que o seu trabalho seja limitado e que aportam ao fisioterapeuta a valorização que ambicionam por parte do cliente. Os enfermeiros de reabilitação também não estão vocacionados para trabalhar grande parte das patologias para as quais o fisioterapeuta desenvolveu aptidões, o que leva novamente ao reconhecimento do fisioterapeuta por parte do cliente. A falta de visão dos senhores dos feudos, que vilipendiam o fisioterapeuta pagando-lhes valores míseros,  aumentaram o instinto de sobrevivência destes profissionais, fazendo com que começassem eles próprios a abrir espaços, com um atendimento premium ao cliente e que faz com que este também não o troque por uma fábrica de despersonalização.

Sempre que se fala em regulação da profissão, parece-me normalmente que o objetivo é proteger o espaço do profissional, e não o de quem verdadeiramente precisa de ser protegido, que é o cidadão que recorre ao serviço.

Quem deve escolher o profissional por quem quer ser tratado é o cliente e, nunca o fisioterapeuta t12373190_10153806948694581_1784178799288483645_neve acesso a tantas ferramentas para corresponder às expectativas de quem os procura. A existência de profissionais não fisioterapeutas na área da reabilitação faz-nos correr mais e dá-nos mais valor porque permite a comparação. Porque é que o Cristiano Ronaldo é tão bom? Porque tem o Messi logo atrás dele.

Somos muitos cérebros mas como alguém dizia, devíamos apenas ter um coração e seria esse coração (enorme), a alma da nossa profissão.

Manuel Paquete – Fisioterapeuta e  co-fundador da Bwizer

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