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Actualidade, Geral, Hugo Belchior

Robots, fisioterapeutas, médicos e personal trainers: quem vai prevalecer?

A evolução tecnológica está à vista de todos. Smartphones com funcionalidades nunca antes imaginadas. Carros sem condutor. Televisão por internet. Exoesqueletos. Podia continuar horas, aqui.

O ponto que quero fazer é que a inovação tecnológica existe, é enorme, desenvolve-se a um ritmo crescente e há duas formas de lidar com isto. Uma, é tentar perceber o que se passa e tentarmo-nos ajustar. A outra é a velha estratégia da avestruz: cabeça na areia e negar a realidade. Tipicamente, esta segunda postura acaba associada a queixas sobre a própria realidade.

8-technologies-4-therapeuticsComo é evidente, toda esta revolução digital também vai impactar o mundo da saúde e do fitness. Exactamente como, talvez ninguém saiba contudo, o que é inegável é que está já a trazer muitas mudanças e, muitas mais vêm a caminho.

Uma das angústias que estes fenómenos disruptivos sempre trazem é a nível do emprego. Será que as máquinas vão substituir o homem? Reconheço que é uma questão complexa, com impactos potencialmente muito marcados e que, desde logo por isso, incendeia paixões.

Poderá discutir-se se um robot, uma tecnologia, poderá substituir ou não o trabalho de um ser humano, se o deve ou não fazer, se deve ou não ser proibido que o faça. A resposta dependerá de uma série de princípios e pontos de partida de cada um.

O problema maior parece-me ser, todavia, a negação de tantas pessoas que a tecnologia pode, de facto, substituir um conjunto de tarefas desempenhadas pelo ser humano, nomeadamente tarefas mais repetitivas e de menor valor acrescentado. Isto acontece porque muitos profissionais têm de si uma imagem tão romanceada que não querem constatar que parte do que fazem tem potencial para ser feito por uma máquina.

video-game-inspired-prosthetic-technology-for-amputeeSe toda esta minha dissertação lhe pode parecer extemporânea ou até ridícula, talvez mude de ideias depois de ler um livro que sempre recomendo aos profissionais de saúde: The Creative Destruction of Medicine, do Dr. Eric Topol, um livro já de 2012 mas que lhe poderá abrir horizontes.

Ou, se não for suficiente, talvez saber que as grandes consultoras mundiais, como a McKinsey e a Accenture, por exemplo, têm equipas dedicadas à saúde digital pode ajudar a demonstrar que se trata de um assunto que já nem é uma novidade.

Se tudo isto não o convencer que se trata de uma realidade e não de ficção científica, arriscaria dizer que está confortavelmente a seguir a estratégia da avestruz. A indústria dos táxis também não quis ver a realidade quando esta se lhe apresentou, antes preferiu o marasmo da rentabilidade de um mercado protegido e, hoje, arrisca-se a ser uma indústria à beira do fim. Isto de se ser avestruz às vezes tem que se lhe diga.

Neste relatório, já de 2014, da Mckinsey, poderá encontrar uma série de dados interessantes sobre a saúde. Partilho apenas um. Os dados que a consultora recolheu destruiu o mito de que “as pessoas não queriam serviços digitais na área da saúde”. Aparentemente, não será bem assim.

Para uma análise bem mais detalhada, sugiro-lhe que se detenha neste relatório, de 2016, da Accenture. Talvez a primeira coisa que o surpreenda é o grau de detalhe a que já se vai na análise de toda esta problemática.

Se não tiver muito tempo para analisar todo o relatório, não deixe de ver o webcast de pouco mais de 6 minutos que encontrará se clicar aqui, um webcast centrado nos impactos a nível da força de trabalho – apenas uma das áreas em que haverá impactos. Tirará as suas próprias conclusões contudo, penso ser indiscutível que vêm aí mudanças e mudanças profundas. E essas mudanças não têm que ser vistas (só) como ameaças já que abrem a porta a uma infinidade de oportunidades: consultas médicas à distância que poupam tempo e dinheiro a médicos e pacientes, análise de exames imagiológicos à distância que aceleram o diagnóstico mesmo em caso de ausência de um especialista na unidade onde o exame é feito, etc. etc. Isto implica muito mais flexibilidade no mercado de trabalho? Com certeza que sim. Pode ter muitas vantagens? Seguramente também.

medical-augmented-reality-in-the-futureperspectivas que parecem hoje de ficção científica e outras, mais plausíveis. Umas vão acontecer e outras, não passarão nunca de projectos. O que é óbvio é que o mundo está a mudar. A saúde está a mudar. O fitness está a mudar.

É verdade que há profissões, e tarefas, menos ameaças pela tecnologia actual. E, segundo este artigo no Independent, os terapeutas e personal trainers até estão relativamente protegidos. Mas, estarão mesmo? Até quando? E, sobretudo, em que tarefas? Já sabemos que as apps e os wearables cada vez mais desafiam os personal trainers. Será razoável pensar que não haverá mais desenvolvimentos?

É porventura confortável pensar que aquilo que faz é tão nobre que não poderá nunca ser feito por uma máquina mas, já pensou de maneira diferente? Já pensou como seria a sua vida se pudesse delegar numa máquina parte das tarefas de menor valor acrescentado e mais repetitivas (e que consomem tempo), focando-se naquilo que é mais nobre, que depende mais do seu intelecto, da sua sensibilidade e da sua capacidade de decisão? É um caminho rumo ao maior valor acrescentado. Um caminho que será mais difícil para uns e mais fácil para outros.

Hoje, com este texto, procurei apenas contribuir para a sua reflexão, mostrando-lhe que a realidade com que talvez se preocupe hoje não vai ser a realidade de amanhã e que, por isso mesmo, se quer preparar o seu amanhã, tem que começar a agir hoje.

Sucessos,
Hugo Belchior

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