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A osteopatia desportiva (2ª parte) | Por Daniel Valpaços

O tratamento:

A osteopatia é uma medicina manual, portanto existem duas ferramentas : mão esquerda e mão direita, alem de uma grande dose de raciocínio. E para dissipar desde já quaisquer crenças, a osteopatia não se resume à aplicação de manipulações estruturais no sistema esquelético. O tratamento em osteopatia desportiva visa à restabelecer o equilíbrio geral do atleta, integrando a lesão.

De volta à entorse externa de tornozelo, além do Rice, o tratamento em complementaridade com a fisioterapia (sim, não me canso de o referir porque por experiência, este trabalho conjunto exponencia os resultados !) baseia-se numa primeira fase num trabalho analítico sobre a tíbio-tarsica para diminuição do edema, no talus e cuboïde que funcionam neste quadro traumático como “fusíveis ósseos” para manter a integridade da articulação, na tíbio-fibular superior sendo que a fíbula é um elemento preponderante da estabilidade do membro inferior sendo um dos pontos pivots do sistema esquelético …

Numa segunda fase, nesta ideia de integração, cerca de 10 à 15 dias pós-trauma a abordagem terapêutica focaliza-se na cintura pélvica, nomeadamente no ilíaco e na charneira L5-S1, tanto na vertente esquelética como neurológica. Além do equilíbrio pélvico, o sistema diafragmático assim como o ílio-psoas, piramidal, angular da omoplata, D4 ponto pivot da coluna dorsal e a ATM homo lateral, necessitam de ser avaliadas e/ou corrigidas. E quando denomino de “correcção”, refiro-me à devolver mobilidade através de múltiplas técnicas diferenciadas e adaptadas à todos os tipos de tecidos conjuntivos. Contudo, correndo o risco de ser repetitivo, não se trata de uma lista de check-points, trata-se apenas de uma das possíveis abordagens. Para o show-off, poderia referir o equilíbrio da 1° vértebra cervical C1 em relação com o talus.

Mas em que consiste a lesão ou disfunção em osteopatia? Devolver movimento? Como?

daniel valpaçosA lesão ou disfunção osteopatica é uma alteração da elasticidade dos diversos parâmetros de movimento. Não existe qualquer deslocamento (linguagem corrente) mas sim uma variação de elasticidade em parâmetros contrários, o que não modifica o posicionamento das peças ósseas em relação, mas suas mobilidades recíprocas. O tratamento concentra-se na devolução destas mobilidades recíprocas que interferem num musculo, ligamento, tendão, junta vertebral, articulação, fascia etc etc. …
Contudo, quantas vezes já ouviram de osteopatia do género : as vértebras ou ossos “fora do sitio” (estaremos à falar de luxações?) , a perna que estava curta e que agora esta da mesma dimensão ou a coluna desalinhada ou outras barbaridades? Bem esqueçam esses termos proibidos, não é linguagem osteopatica, é uma visão restrita da complexidade do corpo humano, não é osteopatia, irritando-me profundamente, passe o desabafo.

 

O treino invisível, a recuperação:

A evolução do mundo desportivo nos últimos anos levou à um aumento da intensidade, da carga física, da exigência assim como à um calendário mais preenchido. Sendo que no meio disto tudo, a prioridade de um departamento médico consiste em disponibilizar todo o plantel às ordens do “mister” nas melhores condições físicas.

A metodologia de treino evolui, a medicina desportiva monitoriza uma série de dados físicos e biológicos, desde a VO2 max ao cortisol, a nutrição desportiva e suplementação permitiram uma viragem à 180° nos hábitos dos atletas, e em osteopatia?

É dos pontos fortes e têm vindo à concentrar a minha evolução profissional no desporto, longe dos estereótipos da terapia manual e da tradicional massagem.

1° intervenção deste treino invisível : sistema respiratório. Objectivo?

  • Aumentar os intercâmbios fluídicos
  • Acção sobre o sistema nervoso parassimpático : diminuição da frequência cardíaca e aumento do volume de oxigénio
  • Drenagem linfática e sanguínea
  • Regulação do equilíbrio acido básico

2° propósito do treino invisível : sistema digestivo. Intuito?

  • Função hepática (fígado +++) para eliminação de resíduos tóxicos
  • Sistema renal para restabelecer a homeostasia hídrica
  • Complexo visceral : Regulação da absorção, tratamento da mobilidade, motilidade e aderências

3° intervenção do treino invisível : sistema craniano. Propósito?

  • Descompressão da ATM, masséter e pterigoideos, exponenciando o relaxamento muscular geral
  • Relaxamento dos suboccipitais em sinergia com o sistema ocular
  • Coordenação do movimento fronto occipital, trabalho sacro-craniano descompressivo
  • Descompressão articulação naso-frontal para aumento dos volumes de O2

4° intervenção do treino invisível : tratamento miofascial. Como?

  • Através do tratamento de pontos de Jones, da descompressão do sacro, da harmonização da fascia profunda torácica e toraco-lombar.
  • Num objectivo proprioceptivo e de integração de movimento músculo-esquelético mobilizações passivas : modelo dos “3R” : Rotina, Ritmo e Rotação denominado de TOG (tratamento osteopatico geral).

Apesar deste treino invisível parecer exaustivo, até à ler, acreditem que os meus “atletas” também se focalizam para alem destes quatros itens, nos alongamentos, na ingestão de líquidos, em imersões de gelo, na ingestão de whey, no desfatigante da Human Tecar etc. etc. …

 

Osteopatia : nova moda ou parceiro imprescindível do mundo desportivo?

A osteopatia não é uma nova tendência, baseia-se nos fundamentos de qualquer profissional de saúde : anatomia, fisiologia, biomecânica. Com o seu raciocínio clínico baseado na individualidade de cada atleta e na sua visão geral, sem protocolos fixos, a avaliação osteopatica é a base para a prevenção e preparação competitiva.
De forma autónoma e independente, mas integrada num departamento médico, a osteopatia dispõe de soluções terapêuticas eficientes e pertinentes à longo prazo, proporcionando um regresso à competição e evitando recidivas com equilíbrio estático e dinâmico.

Mas em verdadeiro cientifico, a verdadeira demonstração seria uma estatística avassaladora do numero de osteopatas em equipas de futebol da liga Nos.
Bem, mas isso não abonaria à minha teoria, por vários motivos.

Um deles, a necessidade de credibilidade da classe de osteopatas, não é uma critica mas uma constatação. Outro é a mudança de mentalidades e de paradigmas na medicina desportiva : o osteopata não substitui o fisioterapeuta, existe uma complementaridade fundamental. Terceiro ponto importante, as próprias entidades desportivas : aposta-se no futebol em 23 jogadores e poupa-se no departamento médico sendo que muita das vezes este é o 12° jogador indispensável.  Termino com nota positiva, os atletas já escolheram …

Vemo-nos pela Bwizer, fica o desafio!

Daniel Valpaços

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PS: Leia a 1ª Parte deste artigo aqui.

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